SOPA DE PLÁSTICOS

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SOLIDÃO


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17.10.2018, 07:03

UM SÉRIO PERIGO PARA A SAÚDE


Quando ela não é voluntariamente assumida, por livre escolha do indivíduo, a solidão pode dobrar o índice de mortalidade após uma hospitalização por problema de cardiologia. O efeito, segundo pesquisas recentes, é mais sensível em homens do que em mulheres.


Por:  Damien  Mascret – Le Figaro Santé 

Você vive sozinho? Se o médico lhe faz essa pergunta logo após sua visita a um atendimento de cardiologia, ele não o faz apenas por causa de questões práticas ou por empatia, mas sim porque a solidão, real ou sentida, aumenta consideravelmente o seu risco de morte durante o ano que virá a seguir. O que justifica a pergunta: Um coração fragilizado será mais vulnerável ao isolamento social?
“Pesquisas mostraram que os homens utilizam principalmente suas esposas como primeiro suporte, mas as mulheres com frequência encontram apoio em pessoas que não são seus maridos”, afirma Anne Vinggaard Christensen, uma doutoranda em saúde pública no centro de cardiologia da Universidade de Copenhague. Mas essa cientista esclarece que as coisas acontecem de forma diferente para os homens e as mulheres. Christensen apresentou os surpreendentes resultados de sua pesquisa no dia 9 deste mês de junho no Trinity College de Dublin, na Irlanda, durante o congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (EuroHeartCare).
A pesquisadora se baseou nos dados de todos os pacientes hospitalizados entre abril de 2013 e abril de 2014 em um dos cinco grandes centros de cardiologia da Dinamarca, inclusive aquele onde ela trabalha, perfazendo uma amostragem de mais de 13 mil pessoas, com idade média de 65 anos. A metade tinha sido hospitalizada por infarto do miocárdio e um terço por arritmia cardíaca; as restantes por insuficiência cardíaca ou doenças das válvulas do coração. A maioria (70%) era  de homens. Mas o que a pesquisadora descobriu é que aqueles que viviam sozinhos apresentavam um risco duas vezes maior de morrer do que os outros durante o ano sucessivo a partir da sua alta hospitalar. Um excesso de risco que não foi encontrado nas pacientes mulheres!
Homens parecem ser mais dependentes
“Pesquisas anteriores já tinham demonstrado que os homens utilizam principalmente suas esposas como primeiro suporte,  mas as mulheres com frequência encontram apoio em pessoas que não são seus maridos”, explica Anne Vinggaard Christensen. “Os homens portanto parecem ser bem mais dependentes da pessoa com a qual eles vivem, do que as mulheres. Já sabíamos que existe uma associação entre uma rede social pobre e a saúde, mas a força dessa associação nos deixou realmente surpresos”.
O mais surpreendente é que o sentimento de solidão faz com que dobre a mortalidade durante o ano seguinte a saída do hospital, e isso tanto para os homens quanto para as mulheres.
Nesse estudo dinamarquês, os pacientes deviam simplesmente responder à pergunta: “Acontece com frequência que você esteja sozinho até mesmo quando preferiria estar em companhia de outras pessoas?”. “Com frequência” foi a resposta para 6% dos homens e 10% das mulheres; “às vezes” para 17% dos homens e 21% das mulheres.  
Um desafio para a sociedade
Em seu livro Loneliness, Human nature and the need for social connection (Solidão, natureza humana e a necessidade de relações sociais) o neurocientista John Cacioppo, da Universidade de Chicago – conhecido por ter demonstrado em 2003, com o uso de ressonâncias magnéticas cerebrais, a  ativação de zonas dolorosas quando as pessoas são rejeitadas por um grupo no decorrer de alguma partida esportiva – insiste repetidas vezes sobre os impactos provocados pela solidão prolongada.
“A solidão não altera apenas o comportamento mas seus efeitos atuam também quando medimos os hormônios do estresse, a imunologia e a função cardiovascular”, escreve Cacioppo. “À medida que o tempo passa, essas alterações fisiológicas se agravam a ponto de levar para a sepultura milhões de pessoas”. O fenômeno é bastante inquietante sobretudo quando consideramos a verdadeira epidemia de solidão que se desenvolve hoje em dia, sobretudo entre os idosos.
Uma pesquisa feita em 2017 encomendada pela organização francesa Les petits frères des pauvres (Os irmãozinhos dos pobres) estima que cerca de 900 mil pessoas com mais de 60 anos, apenas na França, já se encontram em uma situação de isolamento tanto em termos de círculo familiar quanto de roda de amigos. Um desafio que a sociedade moderna deverá enfrentar também em termos de saúde pública.


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IMUNOTERAPIA


 (photo: Sebastian Kaulitzki)

02.10.2018, 22:00

USANDO O CORPO PARA COMBATER O CÂNCER

A chegada da imunoterapia possibilitou melhorar a sobrevida de muitos pacientes de certos tipos de cânceres, mas nem todos os doentes respondem ao tratamento. O desafio agora é encontrar novas combinações eficazes para um maior número de pessoas e de formas de câncer.


Por: Anne-Laure Lebrun – Le Figaro Santé

O Nobel de Medicina foi atribuído nesta segunda feira a dois cientistas, o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo, por sua descoberta de um tipo de terapia que faz com que células de defesa do organismo voltem a atacar tumores. Os dois desenvolveram pesquisas, separadamente, sobre duas proteínas produzidas por tumores — a CTLA-4 e a PD-1 — que paralisam o sistema imune do paciente durante o tratamento de câncer.
“Os tumores produzem as proteínas, chamadas de checkpoints, que bloqueiam o linfócito T, que é a célula mais importante do sistema imune que ataca o tumor. Essas drogas (pesquisadas) retiram esse bloqueio e recuperam o poder de ataque dos linfócitos que estavam paralisados por essas proteínas", explica o oncologista Fernando Maluf, diretor associado do Centro de Oncologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
O imunologista James P. Allison, 70, da Universidade do Texas, estudou a proteína CTLA-4. Ele descobriu que um bloqueio da proteína poderia retirar o freio sobre os linfócitos T, fazendo com que as células voltassem a atacar o tumor. Em 1994, Allison realizou o primeiro experimento em ratos, que ficaram curados após o tratamento.
Em 2010, um estudo clínico mostrou efeitos "impressionantes", segundo a Academia sueca, em pacientes com melanoma (um tipo de câncer de pele) avançado, que não haviam sido observados antes.
Já o imunologista Tasuku Honjo, 76, da Universidade de Kyoto, no Japão, estudou uma outra proteína, a PD-1, que também atuava sobre os linfócitos T, só que de forma diferente. Após experimentos em laboratório, um estudo realizado em 2012 também demonstrou eficácia em tratar pacientes com diversos tipos de câncer.
O cientista norte-americano James P. Allison (direita) e seu colega japonês Tasuku Honjo (esquerda), ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina 2018.
O cientista norte-americano James P. Allison (direita) e seu colega japonês Tasuku Honjo (esquerda), ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina 2018.
“Os resultados foram dramáticos, com remissão a longo prazo e possível cura em alguns pacientes com câncer metastático, uma condição que antes era considerada basicamente intratável", afirmou a Academia.
Os melhores resultados clínicos foram obtidos combinando os tratamentos com drogas que atuavam tanto contra a CTLA-4 quanto contra a PD-1, principalmente em casos de melanoma e câncer renal. “A outra pesquisa importante é agora combinar as imunoterapias entre si e as imunoterapias com quimioterapias ou com os agentes alvo-dirigidos”, avalia Maluf.
Maluf explica que esse tipo de tratamento, a imunoterapia inibidora de checkpoints, já é utilizado em pacientes com câncer em estado avançado, no Brasil e no mundo, há cerca de quatro anos. No país, existe uma droga que bloqueia a CTLA-4 e outras cinco que atuam sobre a PD-1. Tais drogas normalmente são utilizadas em pessoas que não responderam a outros tratamentos.
Essas drogas foram associadas a ganho de sobrevida global em tumores graves como melanoma, câncer de pulmão, de bexiga, de rim, de cabeça e pescoço, linfoma, tumores intestinais, de fígado, gástricos também. São drogas que hoje fazem parte do dia a dia em várias situações importantes com tumores graves e muito avançados. Elas também trazem menos efeitos colaterais que a quimioterapia tradicional.
A chegada da imunoterapia trouxe novas e importantes esperanças para certos pacientes que sofrem de cânceres, particularmente o melanoma e os cânceres de pulmão. Graças a essas moléculas que reativam o sistema imunológico contra as células cancerosas, a sobrevida dos pacientes melhorou consideravelmente. “Transformamos uma doença mortal a curto prazo em uma doença crônica com a qual podemos viver muitos anos. Os pacientes podem trabalhar, viajar, fazer projetos”, informa Hervé Léna, oncologista do Hospital Central da cidade de Rennes, na França.
No Congresso Mundial de Oncologia de Chicago (ASCO) realizado de 1o a 5 de junho último, foram apresentados numerosos estudos que demonstram a superioridade desses tratamentos por meios imunológicos face à quimioterapia convencional.

IMUNOTERAPIA CONTRA CÂNCER RENDE NOBEL DE MEDICINA


As contribuições do norte-americano James Allison para a concepção de uma terapia biológica contra o câncer começaram a se desenhar no início da década de 1990, quando ele iniciou uma série de estudos sobre uma proteína chamada CTLA-4, expressa na superfície dos linfócitos T, um tipo de célula do sistema imunológico responsável pela defesa do organismo contra agentes infecciosos, como vírus e bactérias.
Tão logo o invasor é reconhecido, um conjunto de proteínas ativa o sistema imune do organismo, que passa a atacar o agente invasor. Com o tempo, os pesquisadores identificaram que outras proteínas interrompiam a ação do sistema imune no momento em que o ataque era controlado. Esse sistema orquestrado é fundamental para o mecanismo de controle do sistema imunológico, porque assegura que ele esteja suficientemente envolvido no ataque contra microrganismos estranhos ou células infectadas, ao mesmo tempo que evita sua ação exacerbada, o que poderia levar à destruição de células e tecidos saudáveis.
Acontece que os tumores conseguem se esquivar do ataque do sistema imune, inativando-o após algum tempo. Em outras palavras, o sistema imunológico do organismo afetado deixa de reconhecer as células tumorais como algo anormal. A partir de então, elas passam a aumentar e se proliferar descontroladamente, disseminando-se para órgãos e tecidos saudáveis.
Como muitos outros pesquisadores, Allison verificou que a CTLA-4 era uma das proteínas que bloqueavam a ação dos linfócitos T. Em 1994, ele e sua equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, resolveram investir no desenvolvimento de um anticorpo que se ligasse a essa proteína, inativando-a. Ao inibir a CTLA-4, os pesquisadores pretendiam soltar os freios dos linfócitos T, liberando-os para atacar as células cancerígenas. A estratégia foi muito bem-sucedida em experimentos com camundongos.
A administração do anticorpo inibiu a CTLA-4 e reativou os linfócitos T, que, agindo sobre as células tumorais, impediram sua proliferação. Apesar do desinteresse da indústria farmacêutica em levar a estratégia adiante, Allison seguiu trabalhando no aprimoramento da terapia. Em 2010, ele e sua equipe a aplicaram em pessoas com melanoma, o câncer de pele mais agressivo e letal. Em vários pacientes, os tumores simplesmente desapareceram. Esses estudos levaram ao desenvolvimento do ipilimumab, primeiro anticorpo monoclonal contra a CTLA-4 aprovado em 2011 pela Food and Drug Administration (FDA), agência que regula o comércio de alimentos e remédios nos Estados Unidos.
Em 1992, apenas alguns anos antes de Alisson iniciar seus estudos com a CTLA-4, a equipe do imunologista japonês Tasuku Honjo identificou a PD-1, outra proteína expressa na superfície dos linfócitos T. Empenhado em desvendar seu mecanismo de ação, ele a analisou em uma série de experimentos levados a cabo em seu laboratório na Universidade de Kyoto. Honjo verificou que a PD-1, assim como a CTLA-4, agia no sentido de inibir a ação do sistema imunológico. O resultado foi o desenvolvimento de um anticorpo anti-PD-1, testado em experimentos com modelos animais. A estratégia mostrou-se promissora contra o câncer. Em 2012, um estudo demonstrou sua eficácia no tratamento de indivíduos com diferentes tipos de tumor, inclusive em pacientes com câncer metastático, condição até então considerada impossível de tratar.
Na avaliação do médico Roger Chammas, professor de oncologia na Faculdade de Medicina na Universidade de São Paulo (FM-USP) e coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a premiação de Alisson e Honjo é mais do que justa, uma vez que há mais de 100 anos os pesquisadores tentam usar o sistema imunológico contra os tumores. “Trata-se de um belo exemplo de um conceito que emergiu da pesquisa básica, converteu-se em uma estratégia que superou todas as etapas de estudos e testes clínicos até poder ser usada no tratamento contra alguns tipos de tumor”, destaca o pesquisador. “Sem a pesquisa básica feita por esses imunologistas, a fundamentação teórica dessa intervenção clínica talvez não fosse possível.”
Segundo Chammas, as descobertas de Allison e Honjo representam um princípio completamente novo na terapia antitumoral porque, diferentemente das estratégias anteriores, não visa às células cancerígenas, mas, sim, os mecanismos de inibição do sistema imunológico do organismo afetado. “Graças à estratégia desenvolvida por eles, atualmente dispomos de vários anticorpos monoclonais que agem sobre essa mesma via, que, combinados a outras abordagens, estão ajudando a aperfeiçoar a terapia tumoral”, completa. Muitas pessoas estão se beneficiando dessa estratégia, inclusive no Brasil.
Outra ressalva é que, por ora, esses anticorpos são efetivos apenas contra tumores imunogênicos, que geram uma resposta imune do organismo hospedeiro, como no caso dos melanomas.  “No entanto, hoje já existem testes laboratoriais que ajudam a predizer se o tumor responderá à imunoterapia de forma efetiva”, completa o médico.


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INFECÇÕES DA BOCA


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09.10.2018, 21:30

COMO SE PROTEGER DAS GENGIVITES, AFTAS, CÁRIES E ABCESSOS

As duas patologias dentárias mais frequentes, a cárie e a doença periodontal, são ambas provocadas por uma infecção bacteriana. Mas tratam-se de doenças diferentes. O importante é mantermos a boca e os dentes sempre limpos e bem cuidados. As infeções da boca podem acarretar graves consequências também em outras partes e órgãos do corpo humano.


Por:  Martine Lochouarn – Le Figaro Santé

“Podemos ter cáries sem doença periodontal, ou o contrário”, diz a professora  de odontologia Géraldine Lescaille, do hospital Pitié-Salpêtrière, em Paris. Além disso, não somos todos iguais diante delas. Por causa de suscetibilidades individuais e familiares, certas pessoas desenvolverão mais cáries, e outras as doenças periodontais. Mal cuidadas, essas moléstias podem dar origem a complicações muito severas. E o pior é que, até mesmo nos países mais desenvolvidos, a prevenção dessas infecções buco-dentárias está longe de atingir níveis ótimos.
Seus mecanismos infecciosos são variados e diferentes, bem como as bactérias que são responsáveis por eles. A boca abriga mais de 700 espécies de bactérias, normalmente em equilíbrio e em simbiose como ambiente bucal, no qual a saliva, no seu papel protetor, contribui para regular as flutuações.
A cárie dental, ligado ao excesso de açúcares
No caso da cárie, certas bactérias, sobretudo os estreptococos, para os quais a presença de alimentos açucaradas e ácidos favorecem o crescimento, atacam o esmalte dos dentes, e em seguida a dentina. Se a infecção avança, elas penetram na polpa, a parte viva, vascularizada e inervada do dente, que necrosa acarretando a morte do dente. Essas bactérias vão colonizar essa parte morta até o ápice, a extremidade do dente, onde podem provocar um abcesso dentário – uma super infecção do dente. Deriva disso a importância de uma desvitalização, uma limpeza e uma obturação rigorosa do canal dentário.
(Na zona do colo do dente (a junção do dente à gengiva), uma fina membrana prende o dente à gengiva. Se a escovação não elimina suficientemente as bactérias, elas irão se multiplicar e favorecer a chegada de outras bactérias.
Em certos abcessos, a extração do dente pode se revelar necessária. “Mas os abcessos podem também ter origem em uma infecção periodontal, sobretudo quando o dente é sadio mas está mal posicionado, ou até mesmo quando dente é normal. O abcesso não tratado pode inclusive se estender aos tecidos vizinhos: “A infecção pode atingir os seio9s da face e provocar uma celulite. Essa infecção localizada é uma complicação rara, mas potencialmente muito grave. A pessoa pode morrer de um abcesso dentário mal tratado, que pode ser a origem de um abcesso cerebral, de uma osteíte se a infecção atinge o osso do maxilar, ou de uma tromboflebite por disseminação venosa da infecção”.
Quando uma cárie evolui e produz um abcesso dentário, a dor é em geral tão forte que o paciente dificilmente deixa de correr ao dentista. Mas nem todos somos iguais diante da dor. A dor pode ser flutuante, e pode desaparecer quando a infecção se torna crônica, embora exista sempre o risco de ela ressurgir subitamente, em surtos.
A doença periodontal é silenciosa e irreversível
Contrariamente à carie, a doença periodontal, que costuma surgir ao redor dos 50 anos, não é dolorosa e pode evoluir silenciosamente até chegar à ruína do dente. “Na zona do colo do dente, uma fina membrana o prende à gengiva. Se a escovação não elimina suficientemente as bactérias que colonizam essa região, elas irão se multiplicar, vão favorecer a chegada de outras bactérias, e essa colonização irá destruir progressivamente essa membrana. Daí vem a característica irreversível da doença periodontal”, explica a professora Martine Bonnaure-Mallet, odontologista e microbiologista do Inserm, em Rennes.
Essas bactérias se organizam espontaneamente em uma espécie de biofilme que forma a placa dentária. “A única forma de eliminar suficientemente esse biofilme (que é muito resistente), é escovar os dentes pelo menos duas vezes ao dia durante 2 minutos, e limpar os espaços interdentários com o uso do fio ou fita dental, ou de escovinhas especiais para isso. O primeiro sinal de alerta é o surgimento de um sangramento durante a escovação. Essa gengivite inicial é ainda reversível com uma escovação correta”. A raspagem regular do tártaro e o polimento dos dentes diminuem a adesão bacteriana.
Segundo estudos, em nossos países apenas a metade das pessoas visita o dentista todos os anos, quando isso deveria ser a regra. “Se o sangramento persiste, é necessário visitar o dentista”, insiste a  odontologista. Um outro sinal de alerta, o mau cheiro na boca. “Mas, infelizmente, as pessoas muitas vezes só vão ao dentista quando já tarde demais, quando os dentes já perderam a firmeza, e só nos resta a opção de arrancá-los”.
O diagnóstico, tanto da cárie quanto da doença periodontal, depende do exame clínico e do diagnóstico por imagem. Nos casos de cáries, abcessos ou doenças periodontais mais graves, muitas vezes é necessário se recorrer a antibióticos de largo espectro tais como a amoxicilina. É preciso sempre ter em mente que a boca faz parte do corpo como todas as demais partes, e daí sua importância como porta de entrada potencial de uma infecção.
A boa higiene é importante também para os implantes
Quando é demasiado tarde para salvar o dente, ou os dentes, ainda resta o recurso às próteses e, de modo cada vez mais frequente, aos implantes. “Mas os pacientes que perderam dentes por causa de uma doença periodontal correm um risco maior de contrair infecções de implante; o implante é realizado em um tecido cicatricial cujo poder de cicatrização é pequeno e que reage mais fracamente às medidas de regeneração. Eles correm o risco, portanto, de perder seus implantes...”, indica o professor Monnet-Corti, odontologista em Marselha.
Quando um implante é colocado para substituir um dente que foi extraído, o osso do maxilar é perfurado para que nele seja implantada uma raiz artificial feita com uma liga de titânio. Esse implante, profundamente integrado ao osso, é recoberto na sua superfície pela gengiva. Mas trata-se de uma gengiva cicatricial, sem ligamento, pouco vascularizada. “É nesse local que podem se desenvolver vários tipos de infecções. Tais infecções periodontais costumam não doer, e com frequência a infecção só é descoberta quando aparece um mau cheiro na boca, acompanhado por pequenos sangramentos no momento da escovação, porque a gengiva se retraiu muito e deixa aparecer o implante, ou então porque esse implante se move e balança”. O processo infeccioso é portanto bastante comparável à periodontite clássica. “São provavelmente as mesmas bactérias, mas ainda não existe um acordo quanto ao verdadeiro causador dessas infeções ligadas aos implantes”, explica o professor Monnet-Corti.
A má higiene bucal e dental, e fatores gerais de agravamento tais como o tabagismo favorecem a ocorrência tanto das doenças periodontais quanto das infecções dos implantes. “A tudo isso é preciso acrescentar o fator tempo: quando colocamos um implante num jovem boxeador que quebrou um dente aos 25 anos de idade, ela deverá ter um acompanhamento médico por precaução; mas quarenta anos depois, todo o esqueleto desse esportista sofreu modificações, ele poderá ter desenvolvido uma obesidade, um diabetes, ele pode ter começado a fumar, etc”, esclarece o especialista. Não existe garantia de perenidade para os implantes.
Uma influência global sobre a saúde
As relações entre saúde buco-dental e saúde global já são bem estudadas e conhecidas. A passagem para o sangue de estreptococos bucais que irão se fixar nas válvulas do coração, com um risco de endocardite infecciosa, rara porém muito grave, é conhecida há mais de cem anos.
Sabemos também que existem correlações entre doenças cardiovasculares e doenças periodontais. Estudos feitos com animais demonstraram que a introdução na corrente sanguínea de pseudomonas – bactérias estreitamente implicadas nas ocorrências de doenças periodontais, favorecem a formação de placas de ateroma. Para alguns pesquisadores, esta ligação entre doença periodontal e aterosclerose está agora assentada em um grande número de provas.
Um outro fato bem conhecido, a diabete predispõe à doença periodontal. Os diabéticos devem ser acompanhados no plano dentário para evitar que percam seus dentes precocemente. “Esta é uma relação de mão dupla: o diabete favorece a doença periodontal e a doença periodontal agrave o diabete”, ressalta o professor Bonnaure-Mallet.
Um trabalho recente desenvolvido e publicado pela equipe desse cientista mostrou, por sinal, que a hemocromatose, doença genética que produz um excessivo acúmulo de ferro no organismo, favorece a doença periodontal.
Uma revisão dentária e a colocação em ordem de todas as partes da boca são indispensáveis antes de toda e qualquer cirurgia cardiológica pesada. Este é também o caso da oncologia, antes de se iniciar qualquer quimioterapia, pois esses tratamentos têm um efeito imunossupressor global. O ideal seria um exame odontológico sistemático em todos os casos de doença crônica grave.


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CORRIDA AOS POLOS



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